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Jane Blauth
"Ter na sua biblioteca de dança um livro sobre Jane Blauth é homenagear uma bailarina dotada do mais legítimo temperamento artístico. E se esse livro é escrito por uma estudiosa sensível como Ana Luíza Freire ele
se torna indispensável." Eliana Caminada Rio, 15/09/2004

Jane Blauth estudou dança com Tony Petzhold, Marina Fedossejeva, Tatiana Leskova, Eugênia Feodorova, Mme Biazebetti, Nina Vyroubova, Raymond Franchetti, Tatiana Piankova,Wilson Morelli."Atuou como bailarina no Theatro Municipal
do Rio de Janeiro;Le Theatre D’Art du Ballet, em Paris;Zurich Operhaus, Suíça;Companhia Brasileira de Ballet; Ballet Stagium.Como professora no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ballet Stagium, Teatro Municipal de São Paulo."
Apresentação " Não a vejo há bastante tempo, mas, pela voz, pelo que conheço dela,sei que pouco mudou. Seus olhos muito verdes guardam, certamente, o mesmo traço de infantilidade, misturada com a tragédia dos grandes épicos.
Sempre enxerguei Jane assim, meio enigmática, mesmo através do olhar ímpido que não hesita em nos fixar com um ar de interrogação. Em 1960 ela não era ainda artista principal e devia ser quase uma menina, mas eu já a conhecia de nome. Como ignorá-la?
Apresentar
uma mulher como Jane é tão difícil quanto definir Arte. Não há como. Ela dispensa apresentação, é o que é, como é,para todos os que a conhecem. Nela, o senso de humor convive, lado a lado, com o drama, sempre permeado por um sentido estético. Jane á contradição que define – e essa, talvez, seja a única possível – o artista: é atual sendo de todos os tempos,é sofisticada sendo extremamente simples, é engraçada em situações trágicas, é muito francesa, mas sua brasilidade é evidente, viveu com intensidade
e liberdade, mas foi, com seus amores, inclusive seus pais, a mais fiel das mulheres.
Seu currículo é a expressão desse paradoxo. Apenas aparente? Não saberia dizer. O fato é que ela atuou, sem qualquer pudor e sem qualquer concessão, nos mais variados tipos de espetáculos, desempenhou os mais antagônicos personagens, trabalhou com os mais diversos coreógrafos e maîtres de ballet; mas permaneceu, essencialmente, uma bailarina romântica.
Por vezes me flagrei pensando se Jane sintetiza nela os
decantados temperamentos de Isadora Duncan e Anna Pavlova; sendo, contudo, sempre, uma mulher brasileira.
Nasceu no sul, trabalhou e viveu no Rio, São Paulo, Fortaleza, Manaus, Estados Unidos e Europa. Dançou da África ao Oriente, dançou para o mundo.
Lembro-me, particularmente, de dois momentos que sei, marcaram sua vida: como Julieta, com Aldo Lotufo, na versão de Romeu e Julieta, de Serge Lifar, e em Pas-de-Quatre, de Arthur Mitchell, na Companhia Brasileira de Ballet. Em ambos, fixou-se na
minha memória o lirismo de sua dança, a dramaticidade implícita, mesmo na evidente abstração de Mitchell, e o extravasamento em Shakespeare. Em ambos, recordo-me da beleza de suas linhas, do estilo de seus braços, da sinceridade de sua interpretação.
Não esqueço, também, mais tarde, de sua presença na sala de aula, já como uma elaborada conjugação de pedagoga e analista, amiga e materna. E, sobretudo, atenta e sutil observadora de temperamentos artísticos. Certo dia lhe observei que acreditava não haver
mais espaço para bailarinas com meu perfil, com minhas dificuldades. Ao que Jane retrucou: “Nunca é bem assim,Eliana, nunca será tão simples”.
Jane Blauth, querida amiga, que já trouxe no nome a artista que foi ao longo da vida inteira, que bom que sua Porto Alegre natal está homenageando o Brasil prestando-lhe essa homenagem. Sinto-me honrada de pode participar desse momento da dança, nem tão comum, todos sabemos, mas em tempo de preservar seu talento e sua vocação para todas as futuras gerações "
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