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Lições 

ALGUMAS considerações sobre o Método Vaganova
Quando em 1954 o Ballet Bolshoi realizou suas primeiras apresentações na
Europa Ocidental, mais especificamente em Londres, o mundo quedou-se assombrado diante da excelência de uma dança sobre a qual, de há muito, não tinha mais referências. Na verdade, estava-se diante de uma revolução no ensino da dança acadêmica só comparável à revolução estética proposta por Diaghilev e a ética desencadeada a partir de Béjart. A escola russa de dança, sistematizada por Agripina Vaganova na década de 20 e codificada em 1934 é muito mais do que um método de ensino elaborado sobre fundamentos científicos rigorosos ou do que uma concepção estética e artística do ballet clássico; é uma visão filosófica da arte de ensinar, da maneira de ministrar a aula e da forma de preparar artistas para quase todos os estilos de dança cênica.

Quem tem acesso e conhecimento de dança para compreender o livro « School of Classical Dance », onde Vera Kostrovitskaia e Alexei Pisarev desvendam a escola, apenas esboçada por Vaganova em sua obra, universalmente conhecida, «Os princípios básicos da dança clássíca», se impressiona, antes de tudo, com a maneira como a grande pedagoga decompõe e vai recompondo até a forma final, cada movimento do vocabulário de ensino da dança acadêmica.

Todos os métodos usam, e o fazem corretamente, a decomposição para ensinar um estudante principiante. Este é um ponto de vista admitido por todos os pedagogos que contribuíram para a elaboração da técnica do ballet «clássico».

Mas Vaganova estrutura os movimentos desde sua forma inicial, não só descrevendo-os com extrema clareza, mas definindo de imediato, o objetivo dessa decomposição, a dinâmica própria do movimento, os elementos que o compõem; peça por peça, dentro da mais rigorosa e lógica construção, vão sendo introduzidas as direções pelas quais deve-se iniciar seu ensino sistemático, por quanto tempo devem continuar a ser decompostos, em que tempo musical serão ministrados, quando dispensarão o apoio da barra, enquanto que, ao mesmo tempo, as posições de cabeça e de braços vão sendo incorporadas de maneira coordenada e correta.

A forma intermediária, por vezes mais de uma, acentua e gradativamente vai dificultando sua execução, até que eles, os movimentos, se tornam, orgânicos, artísticos, verdadeiros e naturais no corpo.

Outro extraodinário auxílio para quem ensina é o reconhecimento das direções intermediárias, as quais Vaganova denominou de «condicionais», ou seja, sua introdução está condicionada pelo conhecimento prévio das direções básicas: frente, lado e atrás.

Assim, compreende-se imediatamente o trajeto executado pela perna ao realizar um movimento da frente para o lado e do lado para trás, e vice-versa. Igualmente como conduz ao caminho certo a posição sur le cou-de-pied devant que, ao envolver o tornozelo com os dedos fortemente esticados, coloca o pé numa posição perfeita para estender-se em qualquer direção e para executar com perfeição inúmeros exercícios. Notável também é o trabalho para saltos, não somente pelo caráter «macio» exigido na execução do demi-plié,mas também pelo aproveitamento enérgico e dinâmico da passagem do pé pelo chão nas séries de battements que compõem os exercícios da barra.

Para muitos, tanto faz que o exercício de lançamento da perna à 45o seja denominado de «jeté» ou «glissé».

Não se trata, contudo, apenas de uma questão de nomenclatura: jeté, como Vaganova concebe, tem, de fato um sentido de lançamento, não de deslizamento, porque assim será utilizado para todos os saltos pequenos e médios executados no centro