Histórias de dança

Leva tempo para se fazer um artista.Tempo para trabalhar, germinar e
descobrir uma identidade.
A dança é uma arte temporal, não é como a pintura.
A obra de um pintor pode sobreviver a uma dúzia de críticos, mas o bailarino dispõe apenas de determinado número de anos para produzir e expor seus argumentos.
Os críticos não aceitam isso. A maioria deles está comprometida com o novo, a novidade, o modismo e seu próprio ego..."

Murray Louis no livro "Dentro da Dança"


    HISTÓRIA DA DANÇA- EVOLUÇÃO CULTURAL- ELIANA CAMINADA
    EDITORA SPRINT - RIO 1999


    

    PREFÁCIO DO LIVRO - Fernando Pamplona

    


" ELIANA ME CONVIDOU. ACEITEI! Aceitei, primeiro porque acho que a maioria dos leitores não lê prefácios, introduções e/ou apresentações, afinal são sempre um prejulgamento favorável do livro ou de seu autor.
Segundo porque no ecletismo de minha vida a maior parte foi dedicada ao Ballet.
AJUDEI A FORMAR O BALLET DA Juventude, a Companhia de Dalal Achcar, a Companhia Brasileira de Ballet do Teatro Novo de Paulo Ferraz, o Ballet de Mercedes Baptista, a Brasiliana e o próprio Corpo de Baile do Teatro Municipal.
Trabalhei com o Ballet Bolshoi, o Stanislavski, os Georgianos, o Marquis de Cuevas,
do de Jean Babilée, o de San Francisco, de José Limon, o Theatre de N. York, o do Senegal, o Merce Cunnigham e vai por aí...
NA MINHA CONVIVÊNCIA COM OS artistas concluí que eles, independente do reconhecimento e da popularidade que possam atingir, quando são artistas
mesmo, são apaixonados pela sua expressão e obra, sejam pintores, escritores, arquitetos, escultores, teatrólogos, atores, cineastas, cantores, bailarinos
ou músicos. Todos. Mas em matéria de paixão e dedicação creio que os músicos e bailarinos (incluindo coreógrafos) suplantaram os demais.
Obviamente estou falando de uma forma genérica com ponto de vista absolutamente pesso
ESSES ARTISTAS NÃO SE LIMITAM bitoladamente à  sua expressão. Extrapolam, pesquisam, estendem o seu conhecimento e isso é importante porque o espetáculo é a síntese e todas as expressões do homem criadas a partir da idéia, para ele ser completo, total, cada elemento que o compõe deve entender os demais e com eles formar uma unidade. Estudar nunca é demais.
Entre os bailarinos e baletômanos com os quais convivi, indiscutivelmente o mais erudito foi Maryla Gremo com quem muito aprendi.
EIS QUE ME DEPARO COM O MAIS completo, erudito e culto escrito sobre a evolução da Dança em seu complexo sócio-político-cultural, justamente esse que você vai começar a ler e que representa um extraordinário esforço de pesquisa e entendimento realizado por Eliana Caminada.
Não é um simples registro histórico, é uma verdadeira tese acadêmica com a qual o leitor, como aconteceu comigo, aprenderá muito, mesmo pensando que já sabe o suficiente. VIRE a página e verá!
"


   POSFÁCIO DO LIVRO
- Geraldo A. Lobato Franco

   

Como se fosse um epílogo..

NAS PÁGINAS QUE ACABAMOS DE LER e folhear encontram-se perto de cinqüenta anos de experiência, de luta e reflexo diária na dança e no ballet clássico e moderno, os quais têm ocupado as vinte e quatro horas de Eliana, uma representante dos trabalhadores das artes brasileiras.
AQUI ELA INICIA SEU LABOR  ACADÊMICO. É o princípio da nova fase de uma autora dedicada a analisar, a avaliar e a detidamente refletir criticamente sobre as fases anteriores, no contexto nacional e internacional da arte de exprimir-se pelo corpo.
ANTES, MUITO ANTES, LOGO NO princípio  de sua iniciação profissional, menininha, juntava-se a outros numa troupe que era a vida das festas de fim de ano, beneficentes a um asilo de idosos. Já se vai quase meio século! Mas essa vida artística e, por extensão este livro, começaram ali no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, reafirmo.
FOI NUMA DESSAS FESTAS QUE primeiro os vi dançar, ora uma Coppélia ora um outro solo ou pas-de-deux tchaikovskiano.
Ali se iniciaram muitas carreiras, a um só tempo em que se afirmava outra, a do pai dela, professor de língua inglesa, num side line em que a sua competência de ator latente de sala de aula se concretizva no exímio metteur en scène dessas apresentações.
ERA SEU HOBBY, A SUA PAIXÃO secreta  iniciada na juventude, lá longe na Inglaterra, onde havia estudado teatro.
O destino afinal os levou aos mesmos palcos em posições diferentes.
Se visto de relance, há périplos muito semelhantes no conjunto de suas intenções e extensões.
NO PRINCÍPIO DESSA TERCEIRA FASE voltada à arte que escolheu e às conexões dessa com as outras, Eliana fecha mais um círculo orgânico. É que têm sido, visto em conjunto, mestres de vinte ou trinta gerações, à procura dos saberes da estética, da entrega artística, por conseguinte, da filosofia de como se deve conviver socialmente com o corpo e com o belo, com graça e amor ao que se propõe e se realiza.
POIS NO FUNDO  É ISSO  O QUE  ELE nos ensinava e o que ela nos ensina também agora: uma paixão respeitosa ao prazer estético.
Acredito que todos os valores positivos se concentrem no significado da transmissão desses saberes. Entre nós há mais quem os entenda e os reconheça, e menos os que os confirmem e valorizem adequadamente.
NAQUELAS FESTAS DO MUNICIPAL sentia-se  a alegria, em contraponto ingênuo à tristeza, e as emoções rituais, até as das crianças que as freqüentavam. Ao abrirem-se as cortinas, ao surgirem, diáfanos, aqueles vultos, envoltos em música e em gaze azul, malva a pêssego.
E DA PLATÉIA, RECÉM ADUMBRADA, ouvia-se uma vozinha assustada, “Mânhê”, como se dissesse: “Tou com medo!” Ah! O mistério da arte, o seu caráter lúdico fundamental que tanto mexe com a nossa cabeça desde os primórdios da nossa infância e civilização ocidental.
CONFESSO, NUNCA TIVE TANTA paciência quanto seria necessária para assistir de fio a pavio a todas as partes da apresentação, sem me mexer na cadeira.
Corria, lá pelas tantas para ali perto, a assistir uma seção passatempo do Cineac-Trianon ou do Capitólio.
E pronto estava de volta para a Terceira Parte ou para a Finale.
EXIGIA MOVIMENTO, VARIEDADE, informação, cores, som, luz e sombra, tudo rápido como só o filme mostrava e cujas raras idas ao Centro me permitiam.
É, reconheço que no Municipal havia uma estática lentidão ritualística, um tempo próprio, diferente das minhas expectativas.
MAS FORAM ESSAS APRESENTAÇÕES e os “Concertos para a Juventude”, aos domingos pela manhã, que me iniciaram na disciplina das artes cênicas e na da música erudita.
Reconheço.
Somou-se ao cinema informativo e de animação, que me introduzia ao conhecimento como aprendizado junto à diversão. Uns e outros aos poucos se complementavam.
TODOS ESSES FUGIDIOS MOMENTOS de minha infância e juventude, e suponho das de muitos outros de minha época, juntavam-se aos épicos bailes e desfiles de carnaval, a umas esparsas festas juninas e ainda, mais raro, à epopéia das partidas de futebol.
Só bem mais tarde ao folclórico e ao artístico-desportivo, da capoeira do Mestre Pastinha.
POR QUE ESSA INSÓLITA MEMÓRIA de coisas já faz faz tanto passadas? Faço apologia ao ritual autêntico: canto, dança e jogo, coisa de que poucos se apercebem por atacado; não se ouve falar delas em conjunto, como se faz em outros lugares do planeta. Menos ainda se lhes critica e raramente se lhes pratica integradamente.
Esta é a nossa concepção supostamente sofisticada, dotada de um subjetivismo despreparado e juvenil, que nos atrapalha sentir a confluência do varejo diário.
AFINAL, ELIANA, LEIO NESSAS SUAS páginas mais que aquela estática vista de pássaro do passado, lá dos altos do Municipal. Leio um programa mais amplo, quem sabe, um roteiro, um script da história completa (e filmada) da arte e da dança no Brasil.
ESTAREI LENDO-A CORRETAMENTE?  O tempo o dirá. "

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Entrevistas para o jornal da EEDMO Tour en l'air

Clique na foto e entre no jornal.
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PROJETO MEMÓRIA DOS ARTISTAS DO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
Faperj  ELIANA CAMINADA - RIO, 2004

OS LIVROS foram editados pela Faperj e a coleção inteira é composta de trinta e oito figuras que
construíram a história do principal teatro do Brasil, biografadas por diferentes autores.
MEU TEXTO É absolutamente emocional. Em primeiro lugar porque convivi com Maryla Gremo e com Vaslav Veltchek, além de ter ouvido, desde menina, os relatos sobre Yuco Lindberg. Em segundo porque não sou 
uma escritora, mas uma bailarina que escreve sobre a história do seu oficio, dos seus companheiros 
e sobre a mística da única companhia profissional de dança clássica que conseguiu, ainda que com
dificuldades e obstáculos, sobreviver à ausência de uma política cultural e do crônico desamor
das nossas autoridades por seus artistas, notadamente artistas eruditos.  
PRETENDI, TAMBÉM, com meu trabalho, homenagear os extraordinários pioneiros que, com talento e idealismo, participaram da construção da história do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.


1 - MARYLA GREMO - FOGO SAGRADO

    

2 - YUCO LINDBERG - A IRRESISTÍVEL VOCAÇÃO

    

3 - VASLAV VELTCHEK - O ESCULTOR DE DESTINOS


   
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Folder para o projeto Figuras da Dança, da São Paulo Companhia de Dança, companhia
dirigida por Iracity Cardoso e Inês Bogéa, uma formidável iniciativa
do governo José Serra.
Tive o privilégio de escrever sobre Tatiana Leskova, bailarina, coreógrafa, remontadora e
diretora, que deu ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro sua dimensão definitivamente
internacional.



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TEXTOS completos publicados de ensaios depoimentos, matérias, prefácio
1-
A Montagem de Ballets de repertório - CONDANÇA EDITORA  Movimento

   

2- Depoimento representando a dança: A Inspiração Espiritual na Criação Artística , de  Cristina da costa Pereira - Publicações Lachâtre

   

ENSAIO
3 - "Considerações sobre o Método Vaganova" "Lições de Dança 1 "UNIVERCIDADE Editora

   


4- PREFÁCIO para o Livro " Jane Blauth" de Ana Luíza gonçalves Freire Editora Movimento

  

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Música de fundo: Étude, opus 25 de F. F. Chopin.